Terceirização precisa ser regulamentada, mas lei deve excluir atividade-fim – defende José Pereira

Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região
está preocupado com a crise econômica e reflexos no nível de emprego

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Pereira (com o microfone): luta contra a desindustrialização

A palavra do poderoso Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região tem sempre forte eco em qualquer âmbito. Num momento de discussão sobre relações entre capital e trabalho, dentro de um contexto de crise econômica, como o atual, essa voz ganha ainda mais relevo. “Terceirização existe há décadas, mas sem regulamentação. Essa lei que agora está no Senado é necessária, desde que se preserve a atividade fim para as empresas contratantes”, argumenta o presidente do sindicato que reúne os metalúrgicos de uma das regiões mais ricas do Brasil: José Pereira dos Santos, o Pereira.

“Não é destruindo a mão de obra que se reduz o custo da mão de obra. Nossa luta é por trabalho decente, com registro em Carteira, salário justo, direitos e garantias. A terceirização ampla põe em risco os ganhos trabalhistas conseguidos a duras penas”. Quanto à regulamentação dos atuais terceirizados, para que sejam cobertos pela legislação trabalhista, Pereira comenta: “Somos a favor, porque a desregulamentação
só favorece a exploração da mão de obra”.

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Sede no Centro de Guarulhos

O dirigente sindical entende que o governo é o maior interessado na terceirização, pois “é ele quem mais terceiriza.” Também defende maior diálogo com as entidades patronais. “Precisamos de uma reforma tributária, isso sim. A terceirização não é a melhor forma de reduzir os custos das empresas.”

Brasília

Diretores do sindicato estiveram recentemente em Brasília, juntamente com representantes da Força Sindical, da qual os metalúrgicos de Guarulhos fazem parte, para tentar influenciar os deputados a votarem contra a Medida Provisória 664, que integra o pacote fiscal. Na raiz do problema está o processo de desindustrialização pelo qual passa o Brasil.

“A indústria oferece os melhores salários. Não podemos continuar perdendo empregos para a China”, argumenta Pereira. Em relação à desindustrialização, o dirigente tem posições semelhantes às da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), participando de manifestações públicas lado a lado com a entidade (foto). “Vemos indústrias fechando todos os dias aqui em Guarulhos. São empregos que desaparecem.” Guarulhos tem o 9º PIB municipal do Brasil, gerado em boa parte por seu parque industrial metalúrgico e químico.

História

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Colônia de Férias

Fundado em 1963, o Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região conta com um dos mais completos patrimônios do sindicalismo brasileiro. A sede, de arquitetura moderna, possui sete pavimentos, oferecendo conforto e agilidade nos serviços à categoria, dentre eles o Programa de Apoio Psico profissional, que ajuda desempregados a retornarem ao mercado de trabalho. Também oferece serviços médicos, odontológicos, assistência jurídica, clube de campo e colônias de férias para os trabalhadores associados. “A classe trabalhadora tem consciência de que é no regime democrático que ela tem condições de empunhar suas bandeiras, expor sua posição política e ir à luta por trabalho decente, conquistas trabalhistas e direitos que fortaleçam a cidadania” – assim resume Pereira seu ideário.controle_terceiros

 

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