Combinação de critérios estabelece o valor dos honorários, avalia Chacon

Palestra do especialista em gestão advocatícia na OAB Guarulhos reuniu 40 profissionais

Uma das áreas do escritório de advocacia que mais exige gestão virtuosa é o setorLuís Chacon financeiro. Cuidar das finanças simplesmente olhando se sobra dinheiro na conta no final do mês é sinal de amadorismo e um caminho muito perigoso. Neste âmbito, figura como prioritária a precificação, ou a arte de colocar preços nos serviços. “Como você coloca o preço do seu serviço advocatício?” – foi a pergunta retórica lançada aos cerca de 40 advogados que se reuniram na noite de quarta-feira, 27 de novembro, na sede da subseção Guarulhos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) pelo especialista em gestão advocatícia Luís Chacon. “É melhor recusar um serviço de que assumir um prejuízo”, respondeu o próprio consultor, provocando a platéia da qual fez parte o advogado Rodrigo Prates, presidente da Comissão de Parcerias da OAB em Guarulhos, representando a diretoria da seccional.

Segundo Chacon, professor da UNISAL (Centro Universitário Salesiano), há vários critérios disponíveis: tabela da OAB, um percentual do benefício alcançado pelo cliente, especialidade e complexidade da causa, tempo de duração do processo, valor dos seus débitos daquele mês, valor cobrado por concorrentes ou até mesmo “qualquer valor”. “Nenhum desses critérios está errado. Mas usá-los sem organização e planejamento, isso sim é um grande equívoco.” Se o advogado usar aleatoriamente tais regras, não há como descobrir se o preço estabelecido traz lucro ou não. O valor do honorário geralmente sai de uma combinação de todos esses fatores.

Mas é preciso começar pelo cálculo de custos do escritório, recomenda o advogado, que atua no Vale do Paraíba e capital paulista. Aí entram a atividade intelectual (tempo de execução do serviço e complexidade jurídica da causa), os custos fixos (aluguel, salários, luz, água, café, depreciação dos computadores), custos variáveis (telefone, internet, material de escritório) e os custos ocultos (reuniões, pesquisas, vista dos autos, memorandos, relatórios). Deve-se somar os impostos incidentes e, logicamente, a lucratividade do escritório, que não pode ser confundida com o trabalho intelectual de seus componentes.

Chacon deu um exemplo de cálculo para precificação:

   R$ 4.000,00 (valor da atividade intelectual)

+ R$   300,00 (taxa fixa para cobrir o custo)

+ R$   700,00 (tributo incidente)

___________________________________

=  R$ 5.000,00 é o custo do serviço

 + R$   700,00 (despesas iniciais)

___________________________________

 = R$ 5.700,00 (custo + despesas)

+ R$ 1.200,00 (30% sobre o valor da atividade intelectual – a lucratividade do serviço)

____________________________________

= R$ 6.900,00 (preço final do serviço)

Dentre os conselhos oferecidos pelo advogado, está o de que o escritório deve deixar claro no contrato que as despesas extras, taxas judiciárias e custas processuais correm por conta do cliente. O mesmo em relação a despesas com viagens, deslocamentos e horas fora do escritório, bem como o uso de serviços de auxiliares técnicos, como contadores. Além disso, as despesas com fotografias e impressões que são usadas como documentos no processo. No momento de fechar o serviço, deve ficar explícito o modo de custeio das despesas pelo cliente, se será por antecipação ou via reembolso periódico. Não se deve esquecer, ainda, do risco da inadimplência e seus custos.

Por último, mas não menos importante, o advogado, integrante do Chacon, Macedo e Oliveira Sociedade de Advogados, mencionou a questão ética. “O advogado não pode se tornar sócio do cliente. Sob esse prisma, as regras da OAB são também um norte importante e imprescindível a considerar.”

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Amigo dificilmente serve como sócio num escritório de advocacia, alerta Luís Chacon

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Luís Chacon

Consultor e responsável pela Coordenadoria de “Novos Mercados e Gestão” da Comissão do Jovem Advogado (CJA) da OAB/SP, Luís Chacon.

Se você está pensando em montar um escritório de advocacia em parceria com outros profissionais priorize na busca indivíduos com características complementares às suas. “Isso muitas vezes não ocorre entre amigos universitários, que se aproximam por semelhança para aquela cervejinha depois da aula. Uma sociedade dessas pode, inclusive, acabar estragando a amizade”, recomenda o consultor e responsável pela Coordenadoria de “Novos Mercados e Gestão” da Comissão do Jovem Advogado (CJA) da OAB/SP, Luís Chacon. Para o advogado, um bom sócio pode, sim, ser colega de classe, mas de preferência aquele com traços opostos aos de quem está à procura de uma parceria. “Se o aluno é do tipo estudioso e introvertido, saiba que aquele colega que mal consegue passar de ano, mas tem facilidade de comunicação, pode ser o profissional ideal para cuidar de contatos, ou “vender” o escritório, encaixando-se perfeitamente no quebra-cabeças”, exemplifica. “Afinal, nenhum time é formado apenas por atacantes.”

Chacon foi um dos palestrantes de seminário organizado pela CJA/SP, presidida por Everton Zadikian, dentro do projeto Integração Total para o Jovem Advogado. O evento, realizado segunda, terça e quarta (4,5 e 6 de novembro) da semana passada, reuniu especialistas em marcas, marketing e gestão jurídica no auditório da Caixa de Assistência dos Advogados do Estado de São Paulo (CAASP), no Centro da capital paulista. A escolha do nome não foi por acaso. O site http://advocaciahoje.blogspot.com.br, mantido por Chacon, conta com legião de seguidores (chegou a ter 25 mil acessos num só tópico) ávidos por dicas certeiras no que tange à operação de escritórios de advocacia, bem como orientação sobre elaboração de currículos e searas para inserção no mercado de trabalho. Tudo dentro de invariável bom humor e jovialidade de um simpático caipira de Lorena.

Relatados quase como chistes, os exemplos de Chacon foram recebidos pela plateia de jovens advogados como uma didática aula de cursinho. “Quem quer trabalhar com Direito Previdenciário não pode montar escritório num local que obrigue os clientes a subir muita escadaria – os idosos acabam se cansando e fugindo” advertiu, citando um de seus muitos “causos.” Erro imperdoável, em Criminal, é atender notórios meliantes num imóvel próximo de delegacia. “Cuidado, pois a polícia pode ficar de olho em seus clientes e levá-los todos para o xilindró.” Na área trabalhista, o causídico, que também é professor de Graduação e Pós-Graduação em Direito, não recomenda atender reclamantes e reclamados. “Se eles se encontrarem na sala de espera, haverá sério constrangimento.”

Mandamentos

Como mandamentos, o coordenador de Novos Mercados e Gestão da CJA destaca, em primeiro lugar, que gerenciar um escritório de advocacia é, muitas vezes, “mais difícil e mais importante que advogar.” Justamente em função dessa realidade é que a CJA está mobilizada em seu programa de empreendedorismo para quem estreia na profissão. Logo abaixo, no check-list de Chacon, vem o valor do agir. “Ter ideias e planejar são pontos muito importantes. Mas agir é fundamental.” Segundo suas próprias estatísticas, a maioria dos profissionais se limita às primeiras duas. “Se o advogado conseguir executar ações relacionadas a 30% de suas ideias e planos, já estará fazendo mais de que a maioria.” Mãos à obra, portanto.

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