Maioria acredita que nova lei anticorrupção será efetiva

Pesquisa da Macdata realizada no Compliance Day ouviu 68 especialistas em regulamentações

A maioria (51%) dos especialistas em compliance ouvidos em pesquisa de opinião pela Macdata acredita que a nova lei anticorrupção sancionada em agosto pela presidenta Dilma Rousseff irá “reduzir o número de práticas ilegais” envolvendo empresas. Esse é o mais notável resultado da sondagem efetuada durante o evento Compliance Day, realizado pela revista LEC (Legal, Ethics and Compliance) no dia 29 de agosto em SP. Respondendo a mesma pergunta, 44% dos entrevistados julgam que “só o tempo dirá” se essa lei vai mesmo estimular as boas práticas nos negócios. Outros 3% imaginam que a legislação acabará levando fornecedores do Estado a buscar “brechas e subterfúgios” no intuito de driblar os obstáculos.

Pesquisa de OpiniãoContendo dez perguntas, a pesquisa da Macdata foi respondida por 68 especialistas, um universo significativo nessa restrita comunidade profissional. Quase a metade pertence a empresas do setor de serviços. Um terço dos participantes trabalha em empresas com mais de 500 funcionários, sendo algumas multinacionais. Os demais atuam em companhias menores. A divisão entre profissionais que atuam em conglomerados de empresas e empresas únicas é equilibrada. Outra pergunta da pesquisa indagou sobre a existência de um programa de compliance nas empresas. O compliance é conjunto de disciplinas para fazer cumprir as normas legais e regulamentares, tendo sido bastante difundido a partir do caso Enron, em 2001, nos Estados Unidos.

Expansão

Agora, com a promulgação da Lei nº 12.846, a tendência deve se expandir no Brasil. Segundo resultado da pesquisa, 44% dos entrevistados revelaram que existe um programa de compliance em suas empresas há bastante tempo. Outros 22% admitiram que programas desse tipo já foram implantados, mas são recentes. Outros 18% informaram que um programa assim está em fase de teste, enquanto os demais acreditam que exista o interesse, ao menos. Sobre a utilização de softwares de gestão, pouco mais de um terço (35%) registrou a existência de um programa desse tipo que atenda a todos os setores. Outros 21% disseram que o software de gestão é usado em alguns setores da empresa, apenas, enquanto outros 35% não observaram o uso desse tipo de recurso em suas empresas.

No campo das práticas ligadas ao Direito, pouco menos de um terço (31%) respondeu que opera um software especializado no departamento Jurídico. Menos de um quarto (23%) dos participantes já viu um software de cálculos judiciais sendo usado nas empresas. Quase a metade dos entrevistados (47%) desconhece os programas de cálculos judiciais. Por outro lado, na pergunta sobre Gerenciamento Eletrônico de Documentos, 69% afirmam que a papelada da empresa já é toda digitalizada, mas apenas 10% reconhecem que esses documentos estão indexados e podem ser acessados via internet. Finalmente, a pesquisa da Macdata mostra que, para 40% dos entrevistados, pequena parte dos serviços jurídicos é terceirizada em suas empresas, enquanto 19% indicaram que toda a área jurídica fica a cargo de um escritório de advocacia especialmente contratado.